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Rio inaugura Memorial da Pandemia em homenagem a mais de 700 mil vítimas da covid-19 e ciência.

tal na internet desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas
Reprodução Agência Brasil

Em um gesto de profunda homenagem e um marco para a memória coletiva do país, o Ministério da Saúde inaugurou nesta terça-feira (7) o Memorial da Pandemia, localizado no Rio de Janeiro. A iniciativa visa perpetuar a lembrança das mais de 700 mil vítimas da covid-19 no Brasil, um período que marcou profundamente a sociedade brasileira e global. O evento não só dedicou um espaço físico à memória, mas também reforçou a importância da ciência e da responsabilidade pública na gestão de crises sanitárias.

A cerimônia de lançamento ocorreu no recém-reaberto Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), um edifício que passou por quase quatro anos de obras de recuperação, com um investimento de cerca de R$ 15 milhões. A reabertura do CCMS, por si só, já representa um resgate do patrimônio cultural e histórico, agora enriquecido por um propósito de reflexão sobre um dos períodos mais desafiadores da história recente do país.

Um espaço de memória e reflexão permanente

O Memorial da Pandemia foi concebido com instalações que buscam tocar e educar o público. Um dos destaques é um conjunto de pilastras equipadas com letreiros digitais, onde são exibidos os nomes das vítimas da doença, acompanhados de informações como idade e cidade de residência. Essa instalação oferece uma dimensão pessoal e tangível à tragédia, transformando números em histórias e rostos, mesmo que simbolicamente.

Outra peça central do memorial é uma estrutura em alumínio naval que forma quatro silhuetas humanas de mãos dadas. Esta obra simboliza a união e a solidariedade da sociedade brasileira diante da adversidade imposta pela pandemia. Além do espaço físico, foi lançado o Memorial Digital da Pandemia, um portal online desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que visa ampliar o alcance da memória e do acervo, tornando-o acessível a todos.

A voz da ciência e a lição da história

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a necessidade de aprender com o passado. “O Brasil viveu uma crise sanitária e uma crise de responsabilidade pública durante a pandemia. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população”, declarou o ministro.

A fala de Padilha ressalta a importância de preservar essa memória para que o país não repita os erros do passado, reafirmando a defesa da ciência e da vida como princípios inegociáveis na condução da saúde pública. Complementando as iniciativas, está prevista para junho, no CCMS, a exposição “Vida Reinventada”, com curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade. A mostra promete uma leitura aprofundada das respostas da sociedade à pandemia, articulando memória, ciência, arte e justiça.

Apoio e cuidado pós-pandemia: o Guia Nacional de Manejo

Além do memorial, o Ministério da Saúde lançou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), em colaboração com a Fiocruz. Este documento representa um avanço crucial no atendimento aos pacientes, oferecendo orientações detalhadas para identificar, diagnosticar e tratar as sequelas persistentes da doença, conhecidas como pós-covid.

O guia substitui normativas anteriores, tornando-se a referência única para o SUS. Ele detalha as manifestações clínicas que podem surgir a partir de quatro semanas após a infecção, abrangendo até mesmo casos leves ou assintomáticos. O material também aborda complicações em diversos sistemas do organismo, como o cardiovascular, respiratório, neurológico e a saúde mental, além de apresentar protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais na Rede de Atenção à Saúde, com foco especial em populações vulneráveis.

A luta das vítimas por memória e justiça

As iniciativas foram calorosamente recebidas por instituições como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico). Paola Falceta, uma das fundadoras da Avico, compartilhou sua experiência pessoal de perder a mãe de 81 anos para a covid-19 no início da pandemia, após uma cirurgia cardíaca.

“Tanto o memorial quanto o guia de manejo da covid-19 são demandas da nossa associação em conjunto com outras entidades. Elas começam judicialmente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e são levadas adiante no diálogo com o governo atual”, explicou Paola. Ela enfatizou a importância de não silenciar sobre a dor e a necessidade de reflexão. “É uma questão de memória, de justiça, de verdade e de luta para que não se repita mais a condução irresponsável do Estado dessa emergência de saúde pública”, completou, reforçando o clamor por responsabilidade e um futuro onde a vida e a ciência sejam prioridades inegociáveis. O acervo do memorial dará origem a uma exposição itinerante que passará por seis capitais, entre maio e janeiro de 2027, começando em Brasília e encerrando no Rio de Janeiro, garantindo que essa memória alcance todo o país. Para mais informações sobre o trabalho do Ministério da Saúde, clique aqui.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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