A cantora paulistana Izzy Gordon marca um importante passo em sua trajetória musical com o lançamento do álbum “Sementes da tamarineira – Izzy Gordon canta Jorge Aragão”, programado para 6 de abril. O trabalho não apenas celebra o vasto cancioneiro do renomado compositor carioca Jorge Aragão, mas também se insere em uma notável tendência de tributos fonográficos que têm reverenciado o sambista nos últimos tempos.
Este lançamento de Izzy Gordon chega em um período fértil para a obra de Aragão, seguindo outros projetos significativos. No ano passado, Eliana Pittman lançou “Nem lágrima nem dor” (março de 2025), enquanto o Monobloco trouxe “Mar de Aragão” (fevereiro de 2026), focando no repertório carnavalesco. O cantor Renan Oliveira também contribuiu com “Samba e prece” (fevereiro de 2026), demonstrando a perene relevância e a capacidade de renovação da música de Jorge Aragão.
Izzy Gordon mergulha no universo de Jorge Aragão
Conhecida por sua versatilidade e trânsito pelo universo do jazz, Izzy Gordon pisa com notável firmeza no terreirão do samba carioca com “Sementes da tamarineira”. O álbum, que apresenta oito músicas do repertório de Aragão, conta com a primorosa produção musical orquestrada por Allan Abbadia. A sonoridade do trabalho evoca, em diversos momentos, os sons e a atmosfera dos terreiros onde se pratica a fé afro-brasileira, conferindo uma dimensão espiritual e cultural profunda às interpretações.
O título do álbum faz uma reverência direta à lendária árvore que oferece sombra aos frequentadores da quadra do bloco Cacique de Ramos, um local icônico e berço de grandes nomes do samba, como o grupo Fundo de Quintal e sambistas de peso como Zeca Pagodinho. Mais do que um simples tributo, “Sementes da tamarineira” é o primeiro título de uma trilogia idealizada por Izzy Gordon, que planeja completar a série com álbuns dedicados às obras de Arlindo Cruz (1958 – 2025) e Luiz Carlos da Vila (1949 – 2008), consolidando seu compromisso com a preservação e celebração do legado do Cacique de Ramos.
Um cancioneiro atemporal: as canções e participações especiais
O álbum abre com um sedutor registro de “Lucidez” (Jorge Aragão e Cleber Augusto, 1991), que já anuncia o tom sofisticado e respeitoso das interpretações de Izzy Gordon. A obra é enriquecida com participações de artistas de destaque na cena musical brasileira. Bia Ferreira empresta sua voz a “Malandro” (Jorge Aragão e Jotabê, 1976), Carica colabora em “Coisa de pele” (Jorge Aragão e Acyr Marques, 1986) e Ellen Oléria brilha em “Mutirão de amor” (Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e Sombrinha, 1983), adicionando camadas e texturas às composições.
Além das parcerias autorais de Aragão, Izzy Gordon faz “Feito de paixão” (Paulo Onça e Paulinho Carvalho) – um samba lançado por Aragão no álbum “Raiz e flor” (1988), mas não de sua autoria – deslizar com maestria em um salão de gafieira, mostrando a versatilidade da intérprete. O tom jazzy de “Minta meu sonho” (Jorge Aragão, 1979) reforça a influência do jazz no canto de Izzy Gordon, criando uma ponte elegante entre os dois gêneros. Os arranjos do álbum são notáveis, combinando percussões com violinos e violoncelos, como pode ser ouvido em “Malandro”, e apresentando boas abordagens de sambas como “Já é” e “Eu e você sempre”, duas parcerias de Aragão com Flávio Cardoso, ambas lançadas em 2000.
O legado de Jorge Aragão e a importância do Cacique de Ramos
Em sua essência, “Sementes da tamarineira – Izzy Gordon canta Jorge Aragão” não é apenas um álbum de tributo, mas uma afirmação da atemporalidade e da profundidade do cancioneiro de Jorge Aragão. O trabalho de Izzy Gordon demonstra que a obra do compositor carioca está firmemente enraizada em um solo melódico e poético, capaz de inspirar novas gerações de artistas e de ressoar com o público em diferentes contextos.
A iniciativa de Izzy Gordon de dedicar uma trilogia aos compositores do Cacique de Ramos sublinha a importância cultural e histórica desse espaço para o samba brasileiro. Ao revisitar e reinterpretar essas “sementes”, a cantora contribui para manter viva a chama de um gênero musical que é parte intrínseca da identidade nacional, garantindo que essas melodias e letras continuem a florescer e a encantar. Para mais informações sobre a cena musical brasileira, clique aqui.
Fonte: g1.globo.com