A banda Fresno retorna neste sábado (16) ao palco que, simbolicamente, ajudou a construir sua identidade: o Parque da Redenção, em Porto Alegre. O show gratuito, parte da programação da Semana S, realizada pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, marca um reencontro do grupo com a capital gaúcha, cidade que não apenas viu o nascimento da banda, mas que se tornou um elemento central em sua discografia e narrativa artística.
Geografia e memória na obra da Fresno
Para o vocalista Lucas Silveira, a relação com o Rio Grande do Sul vai além da nostalgia. O músico afirma que é possível traçar um verdadeiro mapa do estado através das composições do grupo. O próprio nome do parque que sedia o show batiza um dos álbuns mais emblemáticos da trajetória da banda, consolidando a capital como um pilar de sua produção.
A influência geográfica se estende para além dos limites urbanos. Em faixas como “O Resto é Nada Mais”, do disco Infinitos (2012), Silveira evoca a solitude e a beleza de locais como Mostardas e Pinhal, no litoral gaúcho. Segundo o artista, o contato com essas paisagens, muitas vezes solitárias fora da temporada de verão, é fundamental para o processo de reflexão que alimenta suas letras.
As origens no 4º Distrito e a ética do trabalho
A gênese da Fresno está cravada no 4º Distrito de Porto Alegre, especificamente em um quarto nos fundos de uma casa na esquina das ruas Arabutã e França. Embora a residência tenha sido demolida, o local permanece como um ponto de referência mental para Silveira, que ainda percorre a região em suas visitas à cidade para buscar inspiração e renovar perspectivas.
A banda, que hoje celebra mais de 20 anos de estrada, mantém viva a ética de trabalho dos tempos de Garagem Hermética e Bar do João. O grupo, que foi pioneiro no uso da internet como ferramenta de disseminação musical no Brasil, vê o retorno à Redenção como um fechamento de ciclo. “De certa forma, uma versão minha de 18 anos está ali entregando flyer de show”, reflete o vocalista sobre o contraste entre o início humilde e o patamar atual.
Humanidade versus inteligência artificial
Com o lançamento do álbum Carta de Adeus, a banda traz à tona um debate contemporâneo sobre a essência da criação artística frente ao avanço da inteligência artificial. Para Silveira, a música produzida por algoritmos pode até simular sonoridades, mas carece da vivência e do acúmulo de experiências reais que definem a obra humana.
“A mente que escreveu aquelas músicas não viveu as coisas que eu vivi, não viu o que eu vi”, argumenta o músico. Ele defende que a conexão profunda estabelecida com os fãs é fruto de uma vulnerabilidade real, algo que a tecnologia, por mais avançada que seja, não consegue replicar. Para a Fresno, a música permanece sendo um canal de expressão profunda e não apenas um preenchimento sonoro. Mais informações sobre a cena musical podem ser acompanhadas pelo portal g1 RS.
Fonte: g1.globo.com