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Maysa: legado da cantora e compositora que completaria 90 anos

mais improvável que seja a associação entre a cantora e compositora carioca com
Reprodução G1

A música brasileira celebra nesta data o que seria o 90º aniversário de Maysa, uma das figuras mais viscerais e transgressoras da nossa cultura. Nascida em 6 de junho de 1936, a cantora e compositora carioca deixou uma marca indelével no cenário artístico nacional, desafiando as convenções de uma época marcada pelo conservadorismo. Sua trajetória, interrompida prematuramente em 22 de janeiro de 1977, aos 40 anos, após um trágico acidente automobilístico na ponte Rio-Niterói, permanece como um símbolo de autenticidade e rebeldia.

A força do samba-canção e a rebeldia de Maysa

Maysa foi muito além de uma intérprete de voz grave e inconfundível. Ela foi uma pioneira, sendo a primeira cantora brasileira a lançar um álbum inteiramente autoral logo em sua estreia, em 1956. Em um mercado fonográfico dominado por figuras masculinas e expectativas de uma postura feminina dócil, ela impôs sua própria voz. O músico Kiko Dinucci descreve o samba-canção, gênero que a consagrou, como uma forma de violência interna, uma expressão de órgãos implodidos por amores frustrados, definição que se alinha perfeitamente à intensidade da artista.

Pioneirismo e resistência social

A vida de Maysa foi um exercício constante de enfrentamento. Para seguir sua vocação artística, ela precisou romper com as barreiras impostas por sua família tradicional paulistana, em um período em que o papel da mulher era estritamente limitado ao ambiente doméstico. Sua postura, muitas vezes rotulada como escandalosa pelos padrões da época, era, na verdade, um ato de liberdade. Ela foi, na prática, uma mulher empoderada décadas antes de o termo se tornar um pilar do debate contemporâneo.

O reencontro com a obra e a imortalidade

O impacto de sua obra atravessou gerações. Em 1976, pouco antes de sua morte, a canção “Meu mundo caiu” — composta por ela mesma em 1958 — voltou ao topo das paradas ao integrar a trilha sonora da novela “Estúpido cupido”, da TV Globo. Esse fenômeno demonstra a atemporalidade de suas composições, como “Ouça” e “Tarde triste”. A capacidade de Maysa de imprimir verdade em cada interpretação, seja em sambas-canção ou em clássicos internacionais, como “Un jour tu verras”, garante que sua arte continue sendo redescoberta por novos públicos.

Influência na cultura brasileira

A trajetória de Maysa é frequentemente revisitada não apenas por sua música, mas por sua personalidade magnética. Seus olhos verdes, descritos pelo poeta Manuel Bandeira como “oceanos não pacíficos”, tornaram-se um ícone visual de sua intensidade. Ao longo de sua breve carreira, ela não apenas cantou, mas viveu de forma intensa, bebendo e desafiando normas sociais, o que a transformou em um mito da música brasileira. Como registrado em portais especializados como o G1, sua memória permanece viva através da força de suas gravações, que continuam a ecoar como um testemunho de uma vida vivida sem concessões.

Fonte: g1.globo.com

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