A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico publicou uma pesquisa sobre o consumo digital em nove países, incluindo o Brasil. O estudo revelou que crianças de 5 anos que usam diariamente celulares e tablets aprendem menos.
Não precisa falar duas vezes. Leitura é evento concorrido. A leitura sempre faz sucesso, eles adoram. Agora não pode ser só aqui, tem que ser na casa?
“Não. Tem que ser na casa, tem que ser com a família, tem que ser em outros lugares também, porque eles criam rotina. Então, traze essa leitura para perto”, diz a educadora Kelly Silva.
Quando a gente fala de ler em casa, aí o Brasil não está bem não: 53% das famílias não leem nunca ou raramente. E só 14% leem para os filhos pelo menos três vezes por semana. Na média internacional, 54% das famílias leem pelo menos três vezes por semana para as crianças.
O estudo da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, foi feito em nove países para avaliar a aprendizagem de crianças de 5 anos. No Brasil, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal pesquisou três estados – Ceará, Pará e São Paulo – e encontrou indícios de o que as crianças estão fazendo no tempo em que não estão lendo ou mesmo brincando. Metade das crianças de 5 anos usa dispositivos eletrônicos todos os dias. A média dos nove países pesquisados é de 46%. Na Holanda, o número é bem menor: 24%.
A análise mostrou que, no Brasil, crianças que usam dispositivos todos os dias têm uma avaliação 11 pontos menor na compreensão de números e medidas e 10 pontos menor para vocabulário do que aquelas que não usam dispositivos todos os dias. Comparado com os outros países, a pesquisa mostrou que o raciocínio matemático das crianças brasileiras foi 44 pontos abaixo da média.
“A hipótese que está acontecendo é: a criança que está dedicada ao celular, ela está deixando de vivenciar outras atividades que poderiam ser mais promotoras do seu desenvolvimento. Sobretudo porque o uso que está sendo feito do celular não é para atividades educativas, é mais para passar tempo, atividades lúdicas. Isso, de fato, está interferindo no aprendizado e no desenvolvimento da criança”, afirma Marina Fragata Chicaro.