A dupla sertaneja Clayton & Romário, conhecida por hits que embalam tanto a farra quanto a sofrência, está explorando novos horizontes musicais. Em um movimento que reflete a constante busca por renovação na indústria fonográfica brasileira, os artistas revelaram o desejo de uma parceria inusitada com o trap, subgênero do rap que tem ganhado grande destaque entre o público jovem. A iniciativa visa não apenas expandir seu alcance, mas também promover um diálogo entre dois universos sonoros aparentemente distintos.
Paralelamente a essa visão futurista, a dupla lançou a primeira parte de seu novo DVD, intitulada “Por Vocês Vol. 1”, nesta quinta-feira, 23 de maio. O projeto marca uma imersão mais profunda no romantismo e na sofrência, com participações de peso que prometem consolidar ainda mais a carreira dos irmãos goianos no cenário musical nacional.
A ponte entre o sertanejo e o trap: uma visão de Romário
A ideia de uma colaboração entre o sertanejo e o trap partiu de Romário, um dos integrantes da dupla. Ele enxerga nessa fusão uma oportunidade valiosa de mesclar dois segmentos super queridos pelo público, criando uma ponte entre gerações e estilos musicais. O objetivo é levar o sertanejo para um novo lado, ao mesmo tempo em que atrai a moçada mais jovem, fã de trap, para o universo sertanejo.
Romário enfatiza a importância dessa renovação contínua em todos os segmentos da música. “Vamos pegar o sertanejo e levar um pouco para um outro lado. E vamos também pegar o trap ali, que é de uma moçada muito nova, e trazer para ouvir também o sertanejo. Acho que é importante essa renovação acontecer sempre em todos os segmentos”, afirma o cantor. Ele revela que já solicitou a compositores a criação de uma música que pudesse concretizar essa parceria, mas até o momento, a faixa ideal ainda não foi encontrada.
Apesar da incerteza sobre a receptividade do público do trap, Romário mantém o otimismo. Ele observa que muitas letras do trap abordam temas de superação, o que o faz acreditar em uma possível abertura para a colaboração. “Não sei por que eu não conheço muitas pessoas. Mas nas poucas músicas que eu escuto, eles falam muito de superação. Então tomara que eles tenham esse coração aberto do jeito que falam nas músicas, porque eu acho que daria certo”, comenta.
“Por Vocês Vol. 1”: parcerias de peso e a virada para o romantismo
Enquanto a parceria com o trap não se concretiza, Clayton & Romário seguem fortalecendo suas raízes no sertanejo com o lançamento de “Por Vocês Vol. 1”. Este álbum é a primeira parte do novo DVD da dupla e conta com 23 faixas inéditas. A faixa de estreia, “Não namora”, já havia sido lançada em 6 de março de 2026 e é uma colaboração com a renomada dupla Zé Neto e Cristiano.
O projeto também apresenta um feat com Jorge e Mateus, dupla com quem Clayton & Romário já haviam unido vozes em 2022 no sucesso “Água nos Zói”, um dos maiores hits de sua carreira. Romário destaca a relevância dessas participações: “São duas participações de peso que eu tenho certeza que vão somar bastante”. O novo trabalho marca uma transição para um repertório mais conceitual, focado no romantismo e na sofrência, buscando um novo patamar para a dupla.
Raízes e evolução: a trajetória de Clayton & Romário
Os irmãos Clayton, de 40 anos, e Romário, de 35, compartilham a paixão pela música desde a infância. Naturais de Goiás, eles iniciaram a carreira profissional em 2008, apresentando-se em bares e churrascarias na cidade de Barretos, interior de São Paulo. O reconhecimento nacional veio durante a pandemia, em 2020, com o estouro da música “Pingaiada”, parte do álbum “No Churrasco”, que celebrava o clima de festa e farra.
A dupla também demonstrou versatilidade ao conquistar espaço no sertanejo romântico com “Namorando ou não”, em parceria com Luan Santana. As referências musicais de Clayton & Romário são vastas, incluindo ícones do sertanejo como Zezé Di Camargo e Luciano, Leonardo, Milionário & José Rico, Chitãozinho e Xororó e Chrystian & Ralf. A paixão pela música latina, influenciada por artistas como Luis Miguel e Alejandro Sanz, surgiu após uma temporada de oito meses na Espanha em 2003.
Clayton explica a estratégia por trás do novo repertório: “A gente sabe que as músicas animadas, que têm as letras mais fáceis e que são mais fáceis de chegar no público ou de acontecer, tomam uma proporção muito grande. Mas a gente sabe também que elas passam mais rápido”. Ele acrescenta que o álbum “Por Vocês Vol. 1” busca trazer “coisas mais conceituais, com alguns ritmos que a gente não tinha feito ainda”, na esperança de conferir um “respeito maior” à dupla e diversificar sua imagem para além da “farra”.
O sertanejo no cenário atual: disputa por espaço no Top 10
A escolha por um repertório mais conceitual também reflete uma análise do cenário musical atual, especialmente no que diz respeito às paradas de sucesso. Clayton acredita que esse novo direcionamento pode ser crucial para que o sertanejo retorne à predominância no Top 10 do Spotify. Nos últimos meses, as primeiras posições da plataforma têm sido frequentemente ocupadas pelo funk, um contraste com a hegemonia que o sertanejo desfrutava há alguns anos. Para mais informações sobre o cenário musical brasileiro, você pode consultar portais de notícias de música.
Romário expressa o desejo de que pelo menos uma faixa do novo álbum tenha um impacto significativo, não só garantindo um sucesso mais duradouro para a dupla, mas também contribuindo para trazer o sertanejo de volta ao topo das paradas. A discussão sobre a duração das músicas, com o funk apostando em faixas mais curtas (cerca de dois minutos), também foi abordada. Clayton explica que, embora o sertanejo já tenha reduzido seu tempo para se adequar às rádios, a dupla prioriza a demanda da própria música na produção, sem se prender a métricas de tempo.
Ele oferece uma perspectiva interessante sobre o consumo musical: “A coisa do primeiro lugar, de estar ali…isso é números, né? A gente vê que o sertanejo começa a ficar mais no topo de sexta-feira para frente. Porque o público que escuta sertanejo, na maioria das vezes, está trabalhando, não fica escutando música o tempo inteiro. Quem escuta o funk, o trap, é a galera mais nova, que vai para escola com fone na orelha escutando”. Essa observação destaca as diferentes dinâmicas de consumo que influenciam o desempenho dos gêneros nas plataformas de streaming.
Fonte: g1.globo.com