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Escritora taiwanesa Yang Shuang-zi conquista International Booker Prize 2026

livro de Ana Paula Maia Reprodução/Instagram
Reprodução G1

A cena literária global celebrou um marco significativo nesta terça-feira (19), em Londres, com a consagração da escritora taiwanesa Yang Shuang-zi no prestigiado International Booker Prize 2026. Sua obra, o romance “Taiwan Travelogue”, não apenas garantiu o reconhecimento internacional, mas também fez história ao se tornar o primeiro livro escrito em mandarim a receber o cobiçado prêmio. A vitória da autora de 41 anos ressalta a crescente diversidade e alcance da literatura traduzida, que o Booker Prize tem se dedicado a promover.

A edição de 2026 do prêmio teve um sabor especial para o público brasileiro, que acompanhou de perto a indicação da talentosa Ana Paula Maia. A escritora de Nova Iguaçu (RJ) esteve entre os seis finalistas, levando a literatura nacional a um patamar de visibilidade inédito na premiação. Embora a vitória não tenha vindo para o Brasil desta vez, a presença de Maia na final é um testemunho da força e originalidade da produção literária do país, abrindo portas para futuras conquistas em um cenário global.

O Triunfo de “Taiwan Travelogue” e Sua Profundidade Cultural

O romance vencedor, “Taiwan Travelogue”, de Yang Shuang-zi, mergulha em uma narrativa rica e envolvente que transporta o leitor para a Taiwan dos anos 1930, período em que o país estava sob ocupação nipônica. A trama acompanha uma romancista japonesa em uma jornada culinária pela ilha, guiada por uma intérprete local que compartilha sua paixão pela gastronomia. A obra é apresentada como uma tradução de memórias de viagem redescobertas, explorando com sensibilidade temas complexos como o colonialismo, as dinâmicas de poder e as nuances do amor.

A própria autora comentou sobre a influência de sua obra em sua vida pessoal. “Os temas centrais do romance, a viagem e a comida, mudaram minha vida de duas maneiras evidentes. Por um lado, minhas economias diminuíram e, por outro, meu peso aumentou”, declarou Yang Shuang-zi, com um toque de humor, sobre a experiência de criar “Taiwan Travelogue”. A presidente do júri, Natasha Brown, elogiou o livro como “cativante, de uma sofisticação sutil”, destacando sua capacidade de funcionar tanto como uma “história de amor quanto como um incisivo romance pós-colonial”, evidenciando a profundidade e a relevância social da obra.

A Representação Brasileira com Ana Paula Maia na Final

A presença da brasileira Ana Paula Maia entre os finalistas do International Booker Prize 2026 foi um motivo de orgulho e celebração para a literatura nacional. A autora de 48 anos, natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, concorreu com seu aclamado romance “Assim na terra como embaixo da terra”, traduzido para o inglês pela canadense Padma Viswanathan com o título “On Earth As It Is Beneath”. A indicação de Maia colocou os holofotes sobre a originalidade e a força de sua escrita, que tem conquistado leitores e críticos.

Publicado originalmente em 2017, o romance de Maia explora os últimos dias de uma colônia penal brasileira, um local isolado e brutalmente utilizado para segregar prisioneiros da sociedade. A narrativa chocante descreve um cenário onde o diretor da instituição caça os detentos como animais, revelando uma faceta sombria e visceral da condição humana. A escritora, que já possui sete romances em sua bibliografia, é uma figura consolidada no cenário literário brasileiro, tendo sido laureada com o Prêmio São Paulo de Literatura por dois anos consecutivos, em 2018 e 2019, por “Assim na terra como embaixo da terra” e “Enterre seus mortos”, respectivamente.

O International Booker Prize e Seu Impacto Global na Literatura

O International Booker Prize, que há uma década se dedica a premiar obras traduzidas para o inglês, desempenha um papel crucial na promoção da diversidade literária e no reconhecimento de vozes de diferentes culturas. Até o momento, o prêmio não teve nenhum vencedor em língua portuguesa ou espanhola, o que torna a indicação de Ana Paula Maia ainda mais significativa para a projeção da literatura lusófona no cenário internacional. A premiação não só celebra a excelência literária, mas também valoriza o trabalho essencial de tradutores, que tornam essas obras acessíveis a um público mais amplo.

O júri da edição de 2026 avaliou uma seleção inicial de 128 obras, todas publicadas no Reino Unido entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026, antes de chegar à lista final de seis concorrentes. Além de Yang Shuang-zi e Ana Paula Maia, a lista de finalistas incluía nomes de peso como a francesa Marie NDiaye, a búlgara Rene Karabash e os alemães Shida Bazyar e Daniel Kehlmann. A história do prêmio conta com laureados que posteriormente receberam o Prêmio Nobel de Literatura, como a sul-coreana Han Kang, a francesa Annie Ernaux e a polonesa Olga Tokarczuk, o que sublinha a relevância e a capacidade do Booker Prize de identificar talentos literários de calibre mundial. A vitória de Yang Shuang-zi e a indicação de Ana Paula Maia reforçam a importância de se olhar para além das fronteiras linguísticas em busca de grandes histórias e perspectivas inovadoras. Para mais informações sobre o prêmio, visite o site oficial do Booker Prize.

Fonte: g1.globo.com

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