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SUS reforça imunização contra doença pneumocócica com vacina 20-valente a partir de junho

© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo significativo na proteção da população brasileira contra a doença pneumocócica a partir de junho. O calendário nacional de imunização será atualizado com a introdução da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), que substituirá a atual 10-valente (VPC10). Essa mudança representa um avanço crucial, dobrando o número de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae que serão prevenidos, oferecendo uma cobertura mais ampla e eficaz.

A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde, visa fortalecer a barreira imunológica do país diante de um cenário epidemiológico que tem mostrado um aumento nos casos da doença. Um guia técnico preliminar com as orientações para os profissionais de saúde foi publicado nesta quarta-feira (27), e os municípios poderão iniciar a aplicação da nova vacina assim que os imunizantes forem distribuídos e recebidos.

Ampliação da Proteção: A Chegada da Vacina Pneumocócica 20-Valente

A introdução da VPC20 no SUS é uma resposta estratégica à evolução da doença pneumocócica no Brasil. Enquanto a vacina 10-valente protegia contra dez sorotipos específicos do pneumococo, a nova formulação abrange vinte tipos da bactéria, incluindo aqueles que têm ganhado prevalência nos últimos anos. Essa ampliação é fundamental para conter infecções que podem variar de quadros leves, como otites e sinusites, a condições graves e potencialmente fatais, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

A decisão de atualizar o imunizante reflete a constante vigilância epidemiológica e o compromisso em adaptar as políticas de saúde pública às necessidades da população. Com a VPC20, espera-se uma redução ainda maior na incidência de doenças graves e na mortalidade associada ao pneumococo, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Ameaça Silenciosa: Entendendo a Doença Pneumocócica

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, comumente conhecida como pneumococo. Essa bactéria é responsável por uma série de infecções, algumas delas de alta gravidade. Em crianças, por exemplo, o pneumococo é estimado como o causador de até 50% de todos os casos de meningite bacteriana, uma condição que pode levar à morte em cerca de 30% dos casos. Além das crianças pequenas, os idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são particularmente suscetíveis às formas mais severas da doença.

A capacidade do pneumococo de causar infecções invasivas, como a meningite e a sepse, o torna uma ameaça séria à saúde pública. A pneumonia bacteriana, outra manifestação comum da doença, é uma das principais causas de internação e óbito, especialmente em extremos de idade. A prevenção por meio da vacinação é, portanto, uma das estratégias mais eficazes para mitigar o impacto dessa bactéria.

O Impacto da Vacinação Anterior e o Desafio Epidemiológico

A inclusão da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) no calendário básico infantil em 2010 marcou um período de sucesso notável na saúde pública brasileira. Dados do Ministério da Saúde revelam que, desde então, houve uma redução de 60% nos casos de doença meningocócica causada pelos sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos. A incidência de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também apresentou uma queda expressiva de 65%.

No entanto, a bactéria pneumococo possui uma característica conhecida como “replacement” ou substituição. Como explica Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, ao controlar e reduzir a circulação de determinados tipos da bactéria, outros sorotipos podem começar a ocupar esse espaço. Esse fenômeno tem sido observado no Brasil, onde a média anual de casos de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos subiu de 164 (entre 2013 e 2019) para 211,3 (entre 2022 e 2024).

A vigilância do Ministério da Saúde aponta que quase 40% dos casos graves com amostras coletadas entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria que não eram prevenidos pela VPC10, mas que estão incluídos na formulação da VPC20. “Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem”, complementa Flávia Bravo, ressaltando a importância da atualização para combater os sorotipos emergentes.

Quem Deve se Vacinar e o Novo Calendário

O calendário básico de vacinação do SUS prevê que os bebês recebam duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idade, com uma dose de reforço aos 12 meses. É crucial que crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta atualizem sua carteira o mais breve possível, garantindo a proteção necessária.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, haverá um esquema adaptado para garantir a continuidade da imunização. Crianças que iniciarem o esquema vacinal receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Para aquelas que já receberam a primeira dose da VPC10, a segunda dose e o reforço serão com a VPC20. Além disso, uma dose de reforço da VPC20 será aplicada em crianças menores de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

É importante notar que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, como a VPC13 e a VPP23, para públicos específicos com alto risco de desenvolver formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o término dos estoques, padronizando e ampliando a proteção. Os grupos de alto risco incluem pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados de órgãos sólidos ou medula, imunodeficientes, pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas, asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down e prematuros.

A vacina é contraindicada apenas para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se também que quem estiver com febre espere melhorar antes de se imunizar, para evitar confusão de sintomas.

Proteção Coletiva: O Efeito Indireto da Imunização

As vacinas pneumocócicas conjugadas, como a VPC10 e a VPC20, não apenas protegem o indivíduo vacinado contra a doença, mas também desempenham um papel crucial na saúde coletiva. Elas evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe das pessoas imunizadas, reduzindo a capacidade da bactéria de se espalhar. Isso significa que, além de prevenir a doença em quem recebe a vacina, ela também impede a transmissão para pessoas não vacinadas, promovendo uma importante proteção indireta, conhecida como imunidade de rebanho.

Essa característica reforça a importância de manter as taxas de vacinação elevadas em toda a população, especialmente entre as crianças, que são os principais vetores de transmissão. A ampliação da cobertura vacinal com a VPC20 é, portanto, um investimento não apenas na saúde individual, mas na saúde pública como um todo, criando comunidades mais resilientes contra a doença pneumocócica.

Para mais informações sobre a doença pneumocócica e o Programa Nacional de Imunizações, consulte fontes oficiais como a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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