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SUS inicia vacinação com a Pneumo 20 para crianças e grupos prioritários em junho

© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo significativo na proteção da saúde infantil e de grupos vulneráveis com o início da vacinação da Pneumo 20. O anúncio, feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quarta-feira (3), prevê que a imunização comece na segunda quinzena de junho, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país. A nova vacina, que representa um avanço importante no Programa Nacional de Imunizações (PNI), será ofertada gratuitamente, substituindo a versão anterior e ampliando a cobertura contra doenças graves.

A Pneumo 20, ou vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), é uma novidade no calendário do SUS e promete proteger contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae. Este microrganismo é o principal causador de infecções severas como pneumonia, meningite e sepse, que podem levar a hospitalizações, sequelas permanentes e, em casos mais trágicos, ao óbito. A incorporação deste imunobiológico é a quarta para crianças na atual gestão da pasta, reforçando o compromisso com a saúde pública, especialmente considerando que, na rede privada, cada dose pode custar mais de R$ 500.

Ampliação da proteção: a chegada da vacina Pneumo 20 ao SUS

A introdução da vacina Pneumo 20 no SUS marca uma evolução na estratégia de combate às doenças pneumocócicas no Brasil. O imunizante é superior à vacina 10-valente (VPC10), que era utilizada anteriormente, pois dobra o número de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae combatidos. Essa ampliação é crucial, uma vez que dados recentes do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves de doença pneumocócica invasiva, registrados entre 2018 e 2023, foram causados por sorotipos não cobertos pela VPC10, mas agora incluídos na nova formulação.

Entre os sorotipos adicionais, destacam-se os tipos 3, 6A e 19A, que são frequentemente associados a casos mais severos de pneumonia invasiva. Além das infecções pulmonares e cerebrais, a vacina também atua na prevenção da otite média, uma condição comum na infância que pode resultar em perda auditiva e infecções generalizadas. A distribuição das primeiras 514 mil doses já foi iniciada, e a expectativa é que mais de 6,1 milhões de doses sejam disponibilizadas ao longo deste ano, garantindo que a imunização chegue a todos os estados e municípios.

O impacto das doenças pneumocócicas na saúde pública

A doença pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, representa uma ameaça significativa à saúde global, sendo a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, os números reforçam essa preocupação: entre 2023 e 2025, foram notificados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. Desses, 616 casos e 188 mortes ocorreram em crianças menores de 5 anos, o grupo mais vulnerável.

Historicamente, a inclusão da VPC10 no calendário infantil do SUS em 2010 já havia gerado resultados positivos, com uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva e 65% nos casos de meningite pneumocócica em crianças de até dois anos. No entanto, o cenário recente mostra um crescimento preocupante. A média anual de casos de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos subiu de 164 (2013-2019) para 211,3 (2022-2024), evidenciando a necessidade de uma proteção mais abrangente que a Pneumo 20 agora oferece.

Estratégia de vacinação e grupos prioritários

A estratégia de vacinação com a Pneumo 20 será implementada de forma escalonada, garantindo a transição eficiente do imunizante anterior. Inicialmente, o esquema vacinal básico para crianças menores de 5 anos seguirá um modelo misto: uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade, uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando um intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. As vacinas VPC13 e VPP23 também serão utilizadas em estratégias diferenciadas até o esgotamento de seus estoques. Após o término das doses da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.

Além das crianças, outros grupos prioritários terão acesso à nova vacina: povos indígenas maiores de 5 anos (sem histórico vacinal com pneumo conjugada), idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados e/ou institucionalizados, e pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Essa abrangência visa proteger as populações mais suscetíveis às formas graves da doença pneumocócica, reforçando a equidade no acesso à saúde.

Recuperação das coberturas vacinais e o futuro da imunização

O Ministério da Saúde tem se esforçado para reverter a queda nas coberturas vacinais infantis observada até 2022. Nos últimos três anos, houve uma recuperação significativa, com a cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. A cobertura parcial acumulada em 2026 já alcança 86,33%, demonstrando o sucesso das campanhas e a retomada da confiança na imunização.

O ministro Alexandre Padilha enfatizou a importância desses resultados, declarando que o país está “vencendo o negacionismo, vencendo a turma antivacina, recuperando a credibilidade do nosso Programa Nacional de Imunização”. Para auxiliar pais e responsáveis no acompanhamento do histórico de vacinação, a Caderneta Digital de Saúde da Criança está disponível no aplicativo Meu SUS Digital, oferecendo uma ferramenta prática para monitorar a imunização em tempo real. A ampliação da proteção com a Pneumo 20 reforça o compromisso do Brasil com a saúde preventiva e a erradicação de doenças que ainda causam grande impacto na população.

Para mais informações sobre a ampliação da proteção vacinal contra a doença pneumocócica, clique aqui.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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