A cidade de Aracaju, em Sergipe, se torna o epicentro do cinema negro brasileiro com a realização da 9ª EGBÉ – Mostra de Cinema Negro, que acontece entre os dias 11 e 18 de abril. Com uma programação rica e diversificada, o evento deste ano dedica seu foco à essencial contribuição das mulheres negras no audiovisual brasileiro, promovendo exibições de filmes, debates aprofundados, atividades de formação e encontros estratégicos entre profissionais, pesquisadores e o público.
A proposta central da EGBÉ é lançar luz sobre a atuação de diretoras, produtoras, técnicas e educadoras que, com sua visão e talento, têm moldado as linguagens e os processos de produção do cinema no país. A iniciativa reconhece que a presença feminina negra vai muito além da direção de obras, abrangendo a formulação de pedagogias inovadoras e políticas de representação que reconfiguram o cenário audiovisual.
Reconhecimento e Homenagem: A Força Feminina no Audiovisual
Esta edição da Mostra EGBÉ sublinha trajetórias que operam na reconfiguração de modos de produção e na ampliação de perspectivas para o cenário audiovisual. Um dos momentos mais aguardados é a homenagem à cineasta Lilian Solá Santiago, que será agraciada com o prestigiado Troféu Severo D’Acelino. A honraria celebra o trabalho multifacetado de Lilian como diretora, roteirista e pesquisadora, com um foco incansável na preservação da memória e da identidade afro-indígena no Brasil, um tema de profunda relevância cultural e social.
A diretora artística e geral da EGBÉ, Luciana Oliveira, explicou a importância da decisão de dedicar o evento às trajetórias femininas. “As mulheres negras estão presentes na construção do cinema brasileiro, como realizadoras, pesquisadoras, educadoras e produtoras de pensamento. Ao dedicar esta edição a essas trajetórias, a EGBÉ busca reconhecer esse legado e ampliar a visibilidade dessas contribuições no audiovisual contemporâneo”, afirmou Luciana, ressaltando o papel fundamental dessas artistas na formação da identidade cinematográfica nacional.
Programação Diversificada: Telas, Debates e Formação
As atividades da mostra estão organizadas em dois eixos principais. O primeiro, denominado Mostra EGBÉ, concentra a agenda de sessões e formação. O público terá acesso à Mostra Oficial, que apresenta a produção atual do cinema negro brasileiro, e à Mostra Internacional, que traz filmes da aclamada realizadora cubana Sara Gómez, proporcionando um panorama global da produção cinematográfica negra.
A grade de programação é abrangente e inclui sessões com comentários aprofundados, mesas de reflexão que estimulam o debate crítico, aulas e lançamentos de livros que enriquecem a experiência dos participantes. Para o público infantil e juvenil, o festival oferece a “Mostrinha Cineclube Zoinho”, um espaço dedicado à formação de novos espectadores e futuros cineastas. Além disso, o evento conta com a Feira do Mangaio Negro e apresentações musicais, que celebram a cultura afro-brasileira em suas diversas manifestações.
Mercado EGBÉ: Fomentando Conexões e Oportunidades
O segundo eixo, o Mercado EGBÉ, já ocorreu entre os dias 8 e 10 de abril. Este espaço estratégico funcionou como um ponto de encontro vital para profissionais negros do setor, com a realização de rodadas de negócios, consultorias especializadas e sessões de pitching de projetos. O objetivo primordial desta frente é fomentar a circulação de propostas inovadoras e a criação de redes de contato robustas entre realizadores e empresas do mercado de audiovisual.
As atividades do mercado visam fortalecer a presença de projetos desenvolvidos por pessoas negras em janelas de exibição e canais de financiamento, combatendo a sub-representação e abrindo portas para novas narrativas e talentos. É um passo crucial para a construção de um audiovisual mais equitativo e representativo.
Um Legado de Resistência e Inovação no Cinema Negro
A EGBÉ, que acontece anualmente desde 2016, consolidou-se como um dos mais importantes eventos do cinema negro no Brasil. Ao longo de suas oito edições anteriores, a mostra registrou a exibição de mais de 200 filmes, a realização de 40 oficinas e o envolvimento direto de cerca de 600 profissionais e estudantes de diversas regiões do país. Este histórico demonstra a capacidade do projeto de impulsionar carreiras e promover a troca de conhecimentos.
A mostra se consolida como um espaço fundamental de circulação e reflexão sobre os rumos do cinema negro no Brasil, unindo nomes da pesquisa e da realização de diferentes partes do território nacional para debater o futuro das narrativas nas telas. Para mais informações sobre a programação completa e detalhes do evento, os interessados podem acessar o site oficial da EGBÉ.
Fonte: cinematorio.com.br