A 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, um dos mais relevantes eventos audiovisuais da América do Sul com foco em questões socioambientais, abre suas portas nesta quinta-feira, 28 de maio, estendendo-se até 10 de junho na cidade de São Paulo. Com uma programação inteiramente gratuita, o festival reúne 104 filmes de 27 países, oferecendo ao público uma oportunidade única de mergulhar em narrativas que provocam reflexão e debate sobre os desafios mais prementes do nosso tempo.
Consolidada como um farol para o cinema socioambiental, a mostra deste ano destaca temas urgentes que ressoam globalmente e localmente. Desde as complexas alterações climáticas e os conflitos geopolíticos no Oriente Médio até as lutas feministas, a saúde mental e a defesa intransigente dos povos originários, a seleção de filmes é um convite à conscientização e ao engajamento. Um dado notável é que 59 das obras exibidas contam com a direção ou codireção de mulheres, reforçando a diversidade de perspectivas e vozes no cenário cinematográfico.
Um panorama de temas urgentes e a força feminina
A curadoria da Mostra Ecofalante demonstra um compromisso profundo com a agenda contemporânea, trazendo à tela discussões que são vitais para o futuro do planeta e da sociedade. A abordagem das alterações climáticas, por exemplo, vai além dos dados científicos, explorando o impacto humano e social das mudanças. Os filmes sobre conflitos no Oriente Médio oferecem um olhar sensível sobre as realidades locais, enquanto as produções focadas em lutas feministas e saúde mental ampliam o diálogo sobre direitos e bem-estar.
A defesa dos povos originários, tema recorrente e de grande importância no Brasil e na América Latina, ganha destaque especial, com obras que ressaltam a riqueza cultural e as ameaças enfrentadas por essas comunidades. A forte presença feminina na direção e codireção dos filmes não é apenas um número, mas um reflexo da busca ativa por equidade e por narrativas que historicamente foram marginalizadas, enriquecendo o repertório e a profundidade dos debates propostos pelo festival.
Legado e homenagem a Zita Carvalhosa
Esta edição da mostra presta uma merecida homenagem à produtora Zita Carvalhosa (1960-2025), uma figura incontornável do audiovisual brasileiro e fundadora do renomado Kinoforum. Sua trajetória é um testemunho da paixão e dedicação ao cinema, e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento e a visibilidade de inúmeras produções nacionais. A mostra exibirá seis títulos produzidos por ela, permitindo ao público revisitar ou descobrir a amplitude de sua contribuição.
Entre os longas-metragens selecionados estão “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias. Os curtas “Distraída Para a Morte”, de Jeferson De, “A Alma do Negócio”, de José Roberto Torero, e “Onde São Paulo Acaba”, de Andrea Seligmann, completam a seleção, oferecendo um panorama da diversidade de gêneros e temas que Zita Carvalhosa abraçou em sua carreira.
Clássicos e novas perspectivas no cinema socioambiental
O Panorama Histórico da mostra é dedicado ao legado do Flaherty Film Seminar, de Nova York, um marco na história do documentário, e assinala o trabalho pioneiro de Frances Hubbard Flaherty. Serão exibidos clássicos restaurados, como “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert J. Flaherty, e o oscarizado “Harlan County: Tragédia Americana” (1976), de Barbara Kopple, oferecendo uma ponte entre o passado e o presente do cinema documentário.
A programação internacional também reserva grandes surpresas, com a abertura oficial apresentando o inédito “O Urso Inconveniente”, de Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, vencedor do grande prêmio do júri no Festival de Sundance. Outros destaques incluem produções com nomes de peso de Hollywood nos bastidores, como “O Grande Lago Salgado”, com produção executiva de Leonardo DiCaprio, e “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, que conta com a produção executiva de Ang Lee. A aclamada realizadora argentina Lucrecia Martel marca presença com “Nossa Terra”, seu primeiro documentário, que investiga o roubo histórico de territórios indígenas na América Latina, um tema de profunda ressonância em todo o continente. Produções como o documentário político alemão “Desmascarando Elon Musk” e o premiado “Os Gêmeos de Gaza” também prometem debates intensos.
A força da produção nacional e o engajamento educacional
A produção nacional ganha força com 51 títulos selecionados para as mostras competitivas, evidenciando a vitalidade e a relevância do cinema brasileiro. A competição Territórios e Memória, por exemplo, apresenta 12 longas e 19 curtas-metragens que exploram as complexidades da identidade e da memória do país. Um dos momentos mais aguardados é a estreia mundial de “Arquivo Vivo”, o novo filme de Vincent Carelli, que resgata os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, um trabalho fundamental para a visibilidade e a autonomia dos povos indígenas na produção audiovisual.
O documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, exibido no Festival de Berlim e premiado em Guadalajara, também integra a disputa, ao lado de obras como “A Pele Do Ouro” e o internacionalmente premiado “Replikka”, focado na reconstrução de uma gruta sagrada no Xingu. Além das exibições, a mostra oferece atividades paralelas que cruzam o cinema com discussões críticas em mesas temáticas sobre educação, ecofeminismo, crise climática e democracia. O programa Ecofalante Educação, por sua vez, levará exibições a escolas públicas e centros culturais, ampliando o alcance e o impacto da iniciativa. Para conferir a programação completa e os locais de exibição, acesse o site oficial da Mostra Ecofalante.
Fonte: cinematorio.com.br