A seleção feminina de futebol dos Estados Unidos é, inegavelmente, a mais vitoriosa do planeta, ostentando quatro títulos de Copa do Mundo e cinco medalhas olímpicas de ouro. Essa trajetória de sucesso a transformou em uma força temida e respeitada globalmente. Contudo, mesmo com todo esse histórico, é do Brasil que surge uma de suas maiores referências e fontes de inspiração: a inigualável Marta Vieira da Silva. A idolatria pela maior jogadora da história transcende fronteiras e gerações, impactando até mesmo as atletas da equipe mais dominante da modalidade.
Essa admiração foi expressa abertamente pelas jogadoras norte-americanas durante a preparação para dois amistosos contra o Brasil. O primeiro confronto está marcado para este sábado (6), às 18h30 (horário de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo. A presença da seleção dos EUA em solo brasileiro, onde será realizada a próxima Copa do Mundo Feminina em 2027, adiciona uma camada extra de significado a esses encontros, servindo como um valioso reconhecimento da importância do futebol feminino brasileiro e de suas lendas.
A reverência da potência americana a Marta, a Rainha do Futebol
A meia Rose Lavelle, uma das estrelas da seleção dos Estados Unidos, não poupou elogios à camisa 10 brasileira. Em entrevista coletiva concedida no centro de treinamento (CT) do São Paulo, Lavelle descreveu a experiência de estar em campo com Marta como “surreal”. “Marta é uma lenda! Honestamente, estar em campo com ela é surreal. É a jogadora em que muitas de nós se espelharam. Enfrentá-la é um desespero [risos]”, declarou a atleta, evidenciando o impacto profundo que a brasileira teve em sua formação e na de muitas outras jogadoras.
A capitã norte-americana, Lindsay Heaps, ecoou o sentimento de admiração, destacando não apenas a habilidade técnica de Marta, mas também sua paixão pelo jogo. “[Admiro] A maneira como ela [Marta] encara o jogo, técnica e taticamente, mas também o quanto ela gosta de jogar. Sempre adorei ver jogadoras que têm esse encanto. Ela tem uma mentalidade vencedora e traz muita alegria aos torcedores”, afirmou Heaps. Essas declarações sublinham a influência de Marta, que vai além das quatro linhas, inspirando com sua dedicação e amor pelo esporte.
O cenário dos amistosos e a evolução do futebol brasileiro
Historicamente, os confrontos entre as seleções femininas de Brasil e Estados Unidos têm sido amplamente favoráveis às norte-americanas, com apenas quatro vitórias brasileiras em 43 jogos. No entanto, o cenário recente mostra uma evolução notável da equipe verde e amarela. No último encontro entre as duas potências, em abril de 2025, o Brasil conquistou uma vitória histórica por 2 a 1 sobre os EUA no PayPal Park, em San Jose, na Califórnia. Foi o primeiro triunfo da seleção brasileira em solo norte-americano, com gols de Kerolin e Amanda Gutierres, um marco que sinaliza o crescimento e a competitividade do time brasileiro.
A técnica dos Estados Unidos, Emma Hayes, reconheceu a força da equipe brasileira e o trabalho de seu treinador. “O Brasil é um time de classe mundial, com um grande técnico [Arthur Elias]. Sou grande fã do trabalho dele. A equipe joga com muita responsabilidade e torna muito difícil você ter o controle do jogo. Não importa quem elas enfrentam, estão sempre em alto nível. E nunca desistem. Acho que o Brasil sempre teve um time muito bom, mas que essa geração tem mais jogadoras no alto nível”, avaliou Hayes, demonstrando respeito pela evolução tática e técnica do futebol feminino no Brasil. A vitória histórica sobre os EUA em 2025 é um exemplo claro dessa ascensão.
Copa do Mundo de 2027: preparação e expectativas no Brasil
Apesar de sua hegemonia, a seleção norte-americana, presente em todas as Copas do Mundo femininas desde a edição inaugural em 1991, ainda precisa garantir sua vaga para a edição de 2027, que será realizada no Brasil. Para isso, a equipe deve ficar entre as quatro melhores seleções do Campeonato da Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e Caribe (Concacaf), que elas mesmas sediarão entre os dias 27 de novembro e 5 de dezembro.
A oportunidade de jogar no Brasil antes do Mundial é vista como crucial para a preparação. “Que experiência pode ser melhor do que estarmos aqui para enfrentar o Brasil, na casa delas e onde será a Copa do Mundo? Acho que temos que aproveitar o máximo da experiência. As viagens, os trajetos de ônibus, os treinos e tudo que o país tem a oferecer. Acredito que a atmosfera será incrível”, projetou Lindsay Heaps. Essa imersão no país-sede permite às jogadoras se adaptarem ao clima, à cultura e à energia que envolverão o torneio, elementos que podem ser decisivos em uma competição de tamanha envergadura.
O legado de Marta e o futuro da modalidade
O retorno de Marta à seleção brasileira para esses amistosos, após sua última participação em agosto do ano passado, quando a Amarelinha conquistou a Copa América em Quito, no Equador, reforça a importância da jogadora para o cenário atual e futuro do futebol feminino. Sua presença em campo não só eleva o nível técnico da equipe, mas também serve como um catalisador para a atenção da mídia e do público, inspirando novas gerações de atletas e fãs.
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil representa um marco histórico para o desenvolvimento da modalidade no país e em toda a América do Sul. O evento promete impulsionar investimentos, visibilidade e o reconhecimento de atletas que, como Marta, dedicam suas vidas ao esporte. A admiração da seleção dos EUA por Marta é um testemunho de seu legado duradouro e da capacidade do futebol feminino brasileiro de produzir talentos que ressoam em escala global, consolidando a imagem de um esporte em plena ascensão e com um futuro promissor.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br