O resultado apertado do primeiro turno da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez com que apoiadores de ambos os lados intensificassem as mobilizações para a etapa decisiva da disputa, com destaque para uma parcela estratégica do eleitorado: os jovens.
A poucos dias do segundo turno, o g1 ouviu eleitores entre 16 e 24 anos para entender as estratégias para alcançar novos votos, convencer indecisos e diminuir a abstenção.
A jovem de 24 anos ajudou a organizar um ato a favor de Lula com cerca de 60 mil pessoas em Brasília (DF), em 13 de outubro.
Do outro lado da disputa, João Pedro Porto, 18 anos, coordena um grupo universitário de oposição ao presidente, que tenta a reeleição. Desde o fim do primeiro turno, ele diz que organizou “adesivaços” e mobilizou atos em frente à faculdade.
“Quando o estudante vê outras pessoas que pensam como ele, percebe que não está sozinho e se sente mais confortável para expressar suas ideias”, afirmou.
No Brasil, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e obrigatório para os que têm mais de 18 anos.
Em 2026, 14,9 milhões de jovens de 16 a 24 anos foram às urnas no primeiro turno. Em 2022, foram 16,9 milhões, uma redução de cerca de 2 milhões de eleitores na mesma faixa etária.
Apesar da atual mobilização de jovens na campanha eleitoral, o número de eleitores nessa faixa etária aptos a votar também recuou em relação a 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- 2026: 19,2 milhões de jovens de 16 a 24 anos estão aptos a votar no primeiro turno das eleições;
- 2022: 21,4 milhões de jovens dessa idade estavam aptos a votar no primeiro turno.
Para a cientista política Marcela Machado, da Universidade de Brasília (UnB), o segundo turno costuma engajar mais o público jovem do que a primeira fase.
Segundo ela, na etapa final o eleitor sente necessidade de se posicionar e o efeito “manada” pode influenciar. Ela assegura também que a juventude atua como “filtro” e “atalho cognitivo” dentro de seus círculos sociais.
Banquinhas ‘vira-voto’ e debates em sala de aula
Bruna Lima usa como estratégia as banquinhas vira-voto, montadas em paradas de ônibus e universidades. A ideia é conversar diretamente com os eleitores, ouvir suas dúvidas e apresentar argumentos para tentar conquistar novos votos.
Mobilização nas redes
Aos 22 anos, Alexandra Carvalho criou um canal de mensagens em que divulga, diariamente, materiais de campanha de Flávio Bolsonaro e incentiva outros jovens a se mobilizar na reta final das eleições. Com os integrantes do grupo ela também organiza reuniões e protestos na faculdade onde estuda.
Fonte g1