O estado de São Paulo registrou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, a confirmação de mais duas mortes por febre amarela, elevando para cinco o número total de óbitos pela doença no ano. Os novos casos, que evoluíram para desfecho fatal, foram divulgados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP) e acendem um alerta crucial para a importância da vacinação em todo o território paulista. Com estas novas ocorrências, o estado já soma nove casos confirmados da doença em 2026.
Um dado preocupante que acompanha esses óbitos é que nenhuma das vítimas havia recebido a dose da vacina contra a febre amarela. Essa informação sublinha a necessidade urgente de a população buscar a imunização, uma medida simples e eficaz para prevenir uma doença que, embora controlável, pode ser letal. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo tem intensificado as campanhas e orientações, visando aumentar a cobertura vacinal e proteger os cidadãos.
Novos óbitos em São Paulo e o alerta em Lagoinha
Os dois mais recentes casos fatais foram identificados na cidade de Lagoinha, localizada na região do Vale do Paraíba. As vítimas são dois homens, de 64 e 54 anos, que não estavam imunizados contra a febre amarela. A confirmação desses óbitos em uma mesma localidade reforça a circulação do vírus em áreas silvestres e periurbanas, exigindo atenção redobrada das autoridades de saúde e da população.
A situação em Lagoinha e o aumento de casos e mortes no estado de São Paulo em 2026 servem como um lembrete contundente de que a febre amarela não é uma ameaça distante. A proximidade de áreas de mata e a presença do mosquito silvestre transmissor tornam a vacinação uma prioridade para todos que residem ou transitam por essas regiões, especialmente antes de atividades ao ar livre ou viagens.
A vacinação como escudo contra a doença
Diante do cenário epidemiológico, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reitera a recomendação para que toda a população verifique sua situação vacinal. A vacina contra a febre amarela é a principal ferramenta de prevenção e está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado, integrando o calendário nacional de imunização.
É fundamental que a imunização seja realizada com antecedência, pois a proteção só é efetiva após um período. A orientação é que a dose seja aplicada pelo menos 10 dias antes de qualquer possível exposição ao risco, como viagens para áreas rurais, de mata ou regiões onde há circulação confirmada do vírus. A atualização da caderneta de vacinação é um ato de responsabilidade individual e coletiva.
A seguir, as recomendações específicas para a vacinação:
- Crianças: devem receber uma dose aos 9 meses de idade e um reforço aos 4 anos.
- Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos 5 anos de idade devem tomar uma dose de reforço.
- Indivíduos de 5 a 59 anos que ainda não foram vacinados devem receber uma dose única.
- Pessoas vacinadas com dose fracionada em 2018, durante campanhas emergenciais, devem verificar a necessidade de atualização da caderneta de acordo com as orientações mais recentes das autoridades de saúde.
Febre amarela: como a doença se manifesta e é transmitida
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, de origem viral, que pode variar de casos leves a quadros graves e potencialmente fatais. O vírus é transmitido exclusivamente pela picada de mosquitos infectados. No ciclo silvestre, que é o mais comum no Brasil, a transmissão ocorre por mosquitos como o Haemagogus e o Sabethes, que habitam áreas de mata.
É crucial ressaltar que não há transmissão direta de pessoa para pessoa. A doença é um zoonose, o que significa que o vírus circula entre primatas não humanos (macacos) e mosquitos. A morte de macacos em áreas de mata é um importante indicador da presença do vírus e da circulação dos mosquitos transmissores, servindo como um alerta para as equipes de saúde e a comunidade. O avistamento de macacos mortos ou doentes deve ser imediatamente comunicado às autoridades sanitárias municipais.
Os sintomas iniciais da febre amarela são inespecíficos e podem ser confundidos com outras enfermidades, o que torna o diagnóstico precoce um desafio. Eles incluem: febre alta, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo generalizadas, náuseas e vômitos, além de fadiga e fraqueza. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para icterícia (pele e olhos amarelados), hemorragias e falência de múltiplos órgãos.
Estratégias de prevenção e o papel vital da população
A prevenção da febre amarela baseia-se principalmente na vacinação e na vigilância epidemiológica. Além da imunização, é importante que a população adote medidas de proteção individual ao frequentar áreas de risco, como o uso de repelentes e roupas que cubram a maior parte do corpo. A conscientização sobre a doença e seus modos de transmissão é fundamental para evitar novos casos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante o acesso gratuito à vacina, reforçando o compromisso com a saúde pública. A colaboração da comunidade, informando sobre a presença de mosquitos ou a morte de macacos, é um pilar essencial para as ações de controle e prevenção. Manter a caderneta de vacinação atualizada é a melhor forma de se proteger e contribuir para a saúde coletiva. Para mais informações sobre a doença e a vacinação, consulte o Ministério da Saúde.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br