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Todo Mundo em Pânico retorna aos cinemas com aposta arriscada na cultura do cancelamento

Arte/g1
Reprodução G1

A aguardada estreia de Todo Mundo em Pânico, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4), marca um momento singular na história recente da comédia paródica. Treze anos após o último capítulo, a franquia que definiu o gênero nos anos 2000 retorna com o retorno triunfal dos irmãos Wayans, que reassumem o controle criativo após duas décadas de afastamento. O hiato, motivado por disputas judiciais e divergências com os antigos produtores, incluindo o condenado Harvey Weinstein, criou uma expectativa monumental entre os fãs.

cinema: cenário e impactos

O reencontro da velha guarda com o público

O novo longa reúne o elenco original, trazendo de volta Anna Faris e Regina Hall, as icônicas Cindy e Brenda. A proposta central é clara: o quarteto tenta sobreviver ao implacável Ghostface, enquanto estabelece uma meta ambiciosa de combater a chamada “cultura do cancelamento”. O filme abre com uma declaração de intenções que descarta qualquer pretensão de “comédia com consciência social”, reforçando o tom politicamente incorreto que marcou a estreia da série no início do milênio.

Ao posicionar os criadores, que já ultrapassaram a casa dos 50 anos, contra a nova geração, o roteiro tenta traçar uma linha divisória clara. A narrativa busca resgatar o estilo frenético de paródia que consagrou a marca, utilizando o elenco original como um escudo contra as mudanças de comportamento social que transformaram a indústria do entretenimento nas últimas duas décadas.

Uma metralhadora de referências sem liga

O roteiro funciona como um imenso compilado de tendências, memes e polêmicas recentes. O filme transita por temas como a pandemia de Covid-19, o impacto do ChatGPT, as teorias envolvendo Jeffrey Epstein e a invasão do Capitólio, além de parodiar produções como Wandinha e Saltburn. No entanto, a execução sofre com a estrutura fragmentada, que se assemelha a uma sucessão de esquetes isoladas em vez de uma narrativa coesa.

Apesar da quantidade massiva de referências, a engrenagem criativa falha ao tentar conectar esses pontos. O humor, muitas vezes, perde o ritmo ao repetir fórmulas que já foram exaustivamente exploradas em redes sociais como o X. Ao focar excessivamente na crítica ao “mimimi” ou em temas como a “machosfera”, o filme acaba por reciclar piadas que o público já consome diariamente, perdendo o fator surpresa que era a marca registrada dos primeiros filmes.

O acerto na autorreferência e o futuro da marca

Curiosamente, os momentos de maior brilho ocorrem quando a produção abandona a tentativa de satirizar a nova geração e volta o olhar para si mesma. A ironia sobre as escolhas de carreira do elenco durante o hiato e as alfinetadas na própria indústria cinematográfica revelam uma autoconsciência que falta ao restante da obra. É nesses instantes que o filme encontra seu melhor tom, lembrando o público por que a franquia se tornou um fenômeno global.

Para os fãs que acompanharam a trajetória dos Wayans, o desfecho oferece um alento, sinalizando que a marca está, de fato, de volta às mãos de seus criadores originais. Contudo, para que uma eventual sequência consiga se sustentar, será necessário mais do que apenas piadas sobre dilemas geracionais. O desafio será renovar a linguagem da paródia para um público que já não se satisfaz apenas com a repetição de clichês, conforme aponta a análise detalhada em g1.globo.com.

Fonte: g1.globo.com

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