O porta-voz do governo da Argentina, Manuel Adorni, deixou a função neste sábado (27) por estar envolvido em um escândalo por suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio.
Adorni é uma das figuras mais próximas de Milei e recentemente admitiu ter ocultado 500 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens, em um caso que o colocou na mira da Justiça e da oposição.
Ele afirmou que se tratava de economias “não declaradas” provenientes de investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018. No entanto, isso contradisse declarações anteriores dadas por ele ao Congresso argentino: em abril, ele afirmou aos parlamentares que “nunca houve ocultação alguma” de seu patrimônio.
O caso é investigado pela Justiça Federal argentina junto com denúncias sobre compra e reforma de imóveis por centenas de milhares de dólares, em um escândalo que ganha um novo capítulo a cada semana.
Adorni resistiu no cargo com apoio do presidente e apresentou explicações consideradas insuficientes. Milei tentou mantê-lo até o último momento e, na manhã de sexta-feira (26), durante visita à Espanha, o presidente argentino chegou a afirmar que só o demitiria caso a Justiça o considerasse culpado de corrupção.
Adorni, de 46 anos, começou no governo como porta-voz presidencial em 2023 e passou à chefia de Gabinete em novembro passado.