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Células-tronco da PUCPR oferecem nova esperança contra complicação grave em transplantes de medula

© Gian Galani/PUC PR
© Gian Galani/PUC PR

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão na vanguarda de uma descoberta que pode mudar o cenário dos transplantes de medula óssea no Brasil. Eles desenvolveram uma terapia avançada que já demonstra resultados promissores no controle de uma complicação séria e muitas vezes fatal: a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH). Essa inovação representa um alento significativo para pacientes que dependem desse procedimento vital.

O transplante de medula óssea é um tratamento essencial para diversas doenças graves, como leucemias, linfomas e outras condições hematológicas. No entanto, a DECH é um dos maiores desafios pós-transplante, impactando a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. A pesquisa da PUCPR, com foco em células-tronco, surge como uma alternativa potente aos tratamentos convencionais, que muitas vezes são insuficientes ou causam efeitos colaterais severos.

A ameaça silenciosa: entendendo a doença do enxerto contra o hospedeiro

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) é uma complicação grave que se manifesta quando as células imunológicas do doador, presentes na medula transplantada, identificam o organismo do receptor como um corpo estranho e passam a atacá-lo. É como se o novo sistema imunológico entrasse em conflito com o próprio paciente, gerando uma resposta inflamatória generalizada.

Os sintomas podem surgir de forma aguda, nos primeiros 100 dias após o transplante, ou se desenvolver cronicamente, manifestando-se anos depois. Na fase aguda, a DECH costuma afetar principalmente a pele e o sistema gastrointestinal, causando vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas intensas e disfunção hepática. Já a forma crônica pode ser mais abrangente, comprometendo diversos órgãos e sistemas, levando a rigidez nos movimentos, dificuldades respiratórias e úlceras, impactando severamente a vida diária dos pacientes.

Limitações do tratamento convencional e a busca por alternativas

Atualmente, o tratamento padrão para a DECH baseia-se no uso de corticosteroides, medicamentos que atuam na diminuição da inflamação e no alívio dos sintomas. Embora eficazes para muitos, uma parcela considerável de pacientes desenvolve resistência a esses fármacos de primeira linha, necessitando de doses mais altas ou de outros imunossupressores, que podem ser mais agressivos e tóxicos para o organismo.

Além disso, a disponibilidade de todos os medicamentos recomendados no Sistema Único de Saúde (SUS) nem sempre é garantida, o que adiciona uma camada de complexidade e desigualdade no acesso ao tratamento. Essa realidade impulsiona a pesquisa por novas terapias, mais eficazes e com menos efeitos adversos, que possam oferecer uma solução mais acessível e segura para os pacientes brasileiros.

Células-tronco mesenquimais: a inovação brasileira com MesenCell

A alternativa desenvolvida pela PUCPR, pioneira no Brasil, é batizada de MesenCell. Essa terapia utiliza células-tronco mesenquimais, que são retiradas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e mantidas congeladas até o momento da aplicação. A grande vantagem dessas células está em sua capacidade de modular o sistema imunológico, agindo na raiz da doença.

Carmen Kuniyoshi Rebelatto, responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR e coordenadora do projeto, explica a mecânica por trás da MesenCell: “Quem ataca principalmente são as células do tipo T e B, e a nossa terapia diminui a proliferação dessas células. É um efeito que a gente consegue ver até em laboratório. Então, ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação.”

A MesenCell é inicialmente indicada para pacientes que não respondem aos remédios tradicionais ou que não podem utilizá-los devido à sua toxicidade. Essa abordagem representa um avanço significativo, especialmente considerando as limitações dos tratamentos atuais e a busca por soluções mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Resultados promissores e os próximos passos da pesquisa

Os primeiros resultados da MesenCell são encorajadores. Um estudo-piloto com 11 pacientes de DECH crônica, que utilizou células-tronco diluídas em uma substância específica, mostrou que metade dos participantes apresentou remissão completa da doença. Mais impressionante ainda, o tratamento levou à melhora de 75% dos comprometimentos gastrointestinais e 100% dos sintomas de pele, mesmo nos casos mais graves.

Carmen Rebelatto destaca um dos sucessos: “Esses pacientes desenvolvem esclerodermia, uma deposição de fibroblastos na pele, e ela fica endurecida, como se fosse uma carapaça, e aí o paciente vai perdendo mobilidade. A gente conseguiu reverter esse processo.”

Com base nesses resultados, uma nova fase de estudo clínico está programada para começar em setembro, envolvendo 20 pessoas. Desta vez, será utilizada uma mistura de células-tronco que se mostrou ainda mais viável e eficaz. Os testes serão conduzidos em três importantes centros de referência no Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.

A pesquisa conta com o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), demonstrando o reconhecimento da importância dessa inovação para a saúde pública. O próximo passo, após a conclusão dos testes, será buscar parcerias com empresas farmacêuticas para viabilizar a produção do medicamento em larga escala, tornando-o acessível a um número maior de pacientes que precisam de esperança e um novo começo. Para mais informações sobre avanços na saúde, visite Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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