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Afrosambas ganham nova vida com Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker em álbum de 60 anos

al do álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius” se comprova – 60 anos após a ed
Reprodução G1

O legado atemporal de Baden Powell e Vinicius de Moraes ressurge com força em “Afro sambas – 60 anos”, o novo álbum que celebra seis décadas do icônico “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”. Lançado nesta sexta-feira, 29 de maio, o trabalho reúne o talento do cantor Marcos Sacramento e do violonista Zé Paulo Becker, que mergulham no repertório que marcou a música brasileira em 1966.

A iniciativa da gravadora Biscoito Fino não apenas revisita as composições originais, mas as expande, adicionando outras quatro canções da dupla que se alinham perfeitamente ao conceito rítmico, poético e espiritual dos afrosambas. Este lançamento é um convite para o público redescobrir a profundidade e a inovação de um gênero que, há 60 anos, ousou fundir a riqueza da música popular brasileira com as raízes das religiões de matriz africana.

A relevância histórica dos afrosambas originais

O álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”, lançado em 1966 pela gravadora Forma, foi um marco cultural e musical. Ele representou uma fusão pioneira de elementos do samba, do jazz e dos cânticos do Candomblé, criando uma sonoridade única e profundamente brasileira. A parceria entre o violonista fluminense Baden Powell (1937 – 2000) e o poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 – 1980) resultou em um cancioneiro que transcendeu o tempo, abordando temas de fé, natureza e a complexidade da alma brasileira.

A obra original não só inovou musicalmente, mas também teve um impacto social significativo ao trazer para o mainstream elementos da cultura afro-brasileira, muitas vezes marginalizada. Canções como “Canto de Ossanha” e “Canto de Iemanjá” tornaram-se hinos, celebrando orixás e a espiritualidade africana de forma poética e acessível. A relevância desses afrosambas reside na sua capacidade de unir o sagrado e o profano, o popular e o erudito, em uma linguagem musical universal.

A nova interpretação de Sacramento e Becker

No álbum “Afro sambas – 60 anos”, Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker assumem a desafiadora tarefa de reinterpretar essa obra monumental. O violão principal de Becker, que também atua como diretor musical e arranjador, demonstra uma maestria notável. Ele consegue ser reverente ao toque de Baden Powell, mantendo a essência rítmica e harmônica, ao mesmo tempo em que imprime sua própria identidade, fiel ao espírito desses sambas inspirados nos ritmos e harmonias das religiões de matriz africana.

A produção musical de Diego do Valle, responsável pela mixagem e masterização, garante que a sonoridade do álbum seja contemporânea, sem perder a alma do original. Marcos Sacramento, cantor niteroiense de vasta experiência, destaca-se pela precisão rítmica de sua interpretação, como evidenciado no canto ágil de “Berimbau”. Sua voz é o fio condutor que costura as diversas participações, mantendo a coesão e a profundidade emocional do projeto.

Vozes e violões que enriquecem o legado

O álbum é um verdadeiro encontro de talentos, com a participação de grandes vozes e instrumentistas que enriquecem a homenagem aos afrosambas. A faixa de abertura, “Canto de Ossanha”, a música mais conhecida do álbum de 1966, ganha uma nova dimensão com o dueto entre Marcos Sacramento e Ney Matogrosso, artista que Sacramento considera um mestre em presença cênica. A presença do violonista Yamandu Costa, com seu toque frenético de sete cordas, eleva a temperatura de “Tempo de amor”, adicionando um brilho instrumental.

Outras participações notáveis incluem o vocalize cristalino de Roberta Sá em “Canto de Iemanjá”, que remete ao canto da orixá feminina e ecoa a evocação feita por Dulce Nunes (1929 – 2020) no disco original. Juliane Gamboa e Fabiana Cozza também emprestam suas vozes, com Cozza trazendo uma interpretação lapidar para “Tristeza e solidão”, um afrosamba que se aproxima do samba-canção. Ilessi abrilhanta “Canto de Xangô”, um tema conduzido apenas pela levada do violão de Zé Paulo Becker, saudando o orixá do título.

O álbum ainda conta com a participação do Trio Madeira Brasil, com Rafael Mallmith nas sete cordas em “Consolação”, e do trompetista Silvério Pontes e os músicos do Samba do Sacramento, que reacendem “Labareda” (1962) com a chama festiva de uma roda de samba. As faixas “Tem dó” (1963) e “Lamento de Exu” são as únicas gravadas apenas com a voz de Marcos Sacramento e o violão de Zé Paulo Becker, evidenciando a total afinação e harmonia entre os dois protagonistas. Para mais informações sobre o lançamento, visite o site da Biscoito Fino.

Mesmo sem reinventar a roda do afrosamba, Sacramento e Becker se engrandecem neste álbum que, embora valorizado pelas presenças dos convidados, se bastaria apenas com a força e a sintonia dos dois artistas principais. É um trabalho que reafirma a vitalidade e a perenidade de uma das mais importantes obras da música brasileira.

Fonte: g1.globo.com

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