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Júri não chega a veredito e anula terceiro julgamento de Harvey Weinstein em Nova York

homens poderosos. O caso, apresentado pelo gabinete do promotor distrital de Man
Reprodução G1

O terceiro julgamento de Harvey Weinstein em Nova York, focado em acusações de que o ex-magnata de Hollywood utilizou sua influência para abusar sexualmente de mulheres, terminou em anulação nesta sexta-feira (15). A decisão veio após o júri não conseguir chegar a um veredito unânime sobre a acusação de estupro contra a aspirante a atriz Jessica Mann.

A anulação representa mais um capítulo na complexa saga judicial de Weinstein, que se tornou um símbolo da queda de figuras poderosas no auge do movimento #MeToo. O caso, que se arrasta por anos, continua a expor as dinâmicas de poder e abuso na indústria do entretenimento.

O Contexto do Caso e a Ascensão do Movimento #MeToo

Aos 74 anos, Harvey Weinstein foi uma das figuras mais proeminentes e poderosas de Hollywood, cofundador do estúdio Miramax e responsável por inúmeros sucessos de bilheteria e filmes aclamados pela crítica. Sua carreira, no entanto, desmoronou em 2017, quando múltiplas acusações de má conduta sexual vieram à tona, desencadeando sua queda e impulsionando o movimento social #MeToo.

O #MeToo encorajou milhares de mulheres em todo o mundo a denunciarem abusos sexuais cometidos por homens em posições de poder, gerando uma onda de responsabilização e um debate global sobre consentimento, assédio e a cultura do silêncio. O caso Weinstein, em particular, tornou-se emblemático, expondo as vulnerabilidades das vítimas e os desafios enfrentados na busca por justiça contra indivíduos influentes.

Detalhes da Acusação e a Estratégia da Defesa

O processo mais recente, conduzido pelo gabinete do promotor distrital de Manhattan, concentrou-se nas alegações de que Weinstein estuprou Jessica Mann em um quarto de hotel em Manhattan, no ano de 2013. Mann testemunhou que resistiu e repetiu “não” várias vezes durante o incidente, detalhando a coerção e o trauma sofridos.

Em sua defesa, Weinstein havia se declarado inocente da acusação de estupro em terceiro grau, negando ter agredido qualquer pessoa ou mantido relações sexuais sem consentimento. Seus advogados argumentaram que o relacionamento com Mann era consensual e que a acusação de estupro foi inventada por ela após se arrepender de que a relação não impulsionou sua carreira no cinema. Essa linha de defesa buscou descredibilizar a vítima, uma tática comum em casos de agressão sexual, levantando questões sobre a complexidade de provar consentimento em cenários de desequilíbrio de poder.

Histórico Judicial: Condenações Anteriores e Anulações

A trajetória legal de Harvey Weinstein é marcada por altos e baixos, refletindo a dificuldade e a sensibilidade dos casos de abuso sexual. Em seu primeiro julgamento em Nova York, ocorrido em 2020, ele foi condenado por estuprar Jessica Mann e agredir a então assistente de produção Miriam Haley em 2006. Essa condenação resultou em uma sentença de 23 anos de prisão, vista como uma vitória significativa para o movimento #MeToo.

No entanto, a mais alta corte do estado de Nova York anulou essa condenação e a sentença de 23 anos, concluindo que Weinstein não teve um julgamento justo devido à permissão de testemunhos de mulheres cujas acusações não faziam parte do processo em questão. Em um julgamento subsequente, ocorrido em junho de 2025, um júri de Manhattan condenou Weinstein por abuso sexual contra Miriam Haley, mas o considerou inocente da acusação de agressão contra a ex-modelo Kaja Sokola. Paralelamente, Weinstein também foi condenado por estupro na Califórnia em 2022, onde cumpre uma pena de 16 anos de prisão, e atualmente recorre dessa condenação e sentença.

Próximos Passos e Repercussões Legais

A anulação do julgamento pelo juiz Curtis Farber, após o júri ficar dividido sobre a acusação de estupro em terceiro grau contra Jessica Mann, significa que o Ministério Público pode optar por um novo julgamento para essa acusação. O novo julgamento havia começado em abril, e a decisão de anulação sublinha a dificuldade de se obter vereditos unânimes em casos tão delicados e de alta complexidade probatória.

Apesar da anulação, o cofundador do estúdio Miramax ainda enfrenta sérias consequências legais. Ele poderá enfrentar até 25 anos de prisão quando for sentenciado pela condenação por abuso sexual contra Miriam Haley. Seus recursos contra as condenações na Califórnia e a expectativa da nova sentença em Nova York mantêm Weinstein no centro das atenções judiciais, enquanto as vítimas e o público aguardam os desdobramentos finais de sua saga legal. Para mais informações sobre o impacto do movimento #MeToo, você pode consultar fontes como a BBC News.

Fonte: g1.globo.com

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