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Gabriele Leite encanta público carioca com virtuosismo e emoção na abertura do Queremos! Festival!

ada de shows pelo país, a violonista de 28 anos – nascida em fevereiro de 1998 e
Reprodução G1

A cena musical brasileira testemunhou um momento de rara beleza e talento na noite de 4 de abril de 2026, quando a violonista Gabriele Leite subiu ao palco do Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ). Aos 28 anos, a artista paulista, radicada em Nova York (EUA) desde 2021, foi a responsável por abrir a sétima edição do Queremos! Festival!, entregando uma performance que mesclou técnica apurada, profundo sentimento e uma cativante simpatia. O show, que precedeu a apresentação do cantor Zeca Veloso, não apenas cumpriu seu papel de aquecimento, mas se tornou um espetáculo à parte, extasiando uma plateia que, em grande parte, descobria o talento de Leite pela primeira vez.

A consagração de Gabriele Leite no palco carioca

Sentada na beira do palco, sob uma iluminação intimista e com as cortinas ainda fechadas, Gabriele Leite irradiava luz própria. A violonista iniciou sua apresentação com dois temas da pianista e compositora paulistana Lina Pires de Campos (1918 – 2003): “Prelúdio nº 2” e “Ponteio e Toccatina”. Ambas as peças fazem parte de seu segundo álbum, “Gunûncho” (2025), um trabalho que destaca a produção autoral feminina, um ponto que a própria artista fez questão de ressaltar durante o show, lembrando o histórico domínio masculino no universo do violão clássico. A escolha de abrir com composições de Lina Pires de Campos já sinalizava a intenção de Leite de valorizar vozes femininas na música instrumental.

A performance de Gabriele Leite foi um convite a uma jornada musical que transitou com fluidez entre o erudito e o popular. Com um repertório de 12 temas, a violonista demonstrou não apenas seu virtuosismo técnico, mas também uma capacidade ímpar de comunicar emoção. Sua interação com o público, marcada pela simpatia e clareza, criou uma conexão imediata, transformando a abertura do festival em uma experiência memorável. Ao final, a artista foi aplaudida de pé, um reconhecimento sincero de uma plateia que havia sido surpreendida e conquistada por seu talento.

A linhagem nobre do violão brasileiro e o legado de Gabriele Leite

Nascida em fevereiro de 1998 em Cerquilho (SP), Gabriele Leite é hoje muito mais do que uma promessa. Sua formação em violão clássico e sua trajetória a colocam como uma das maiores revelações do instrumento no Brasil, inserindo-a em uma linhagem de ases que inclui nomes lendários como Garoto (1915 – 1955), Dilermando Reis (1916 – 1977), Baden Powell (1937 – 2000) e Raphael Rabello (1962 – 1995). Entre os contemporâneos, ela se alinha a João Camarero e Yamandu Costa, e no time feminino, segue os passos de Rosinha de Valença (1941 – 2004) e Badi Assad. Essa herança musical é evidente em sua abordagem, que honra a tradição ao mesmo tempo em que imprime uma identidade própria e contemporânea.

A passagem de Gabriele Leite pelo Brasil em abril de 2026 para uma temporada de shows é um marco em sua carreira. Seu trabalho, que já conta com os álbuns “Territórios” (2023) e “Gunûncho” (2025), reflete uma pesquisa aprofundada e um compromisso com a valorização da música brasileira em suas diversas facetas. O álbum “Gunûncho”, em particular, destaca-se por seu foco na produção autoral feminina, um movimento importante para reequilibrar a narrativa histórica do violão e dar visibilidade a compositoras muitas vezes esquecidas.

Um repertório que celebra a diversidade musical brasileira

O roteiro do show de Gabriele Leite foi uma verdadeira aula de história da música brasileira, cuidadosamente construído para mostrar a riqueza e a versatilidade do violão. Além das composições de Lina Pires de Campos, a violonista dedicou espaço a dois temas de Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935): o maxixe “Corta-jaca” (1895) e a melancólica modinha “Lua branca” (1912). A inclusão de Chiquinha Gonzaga reforça a proposta de Leite de destacar a contribuição feminina na música.

O público também foi presenteado com peças de seu primeiro álbum, “Territórios” (2023), como “Ritmata”, do compositor Edino Krieger (1928 – 2022). Um dos pontos altos foi a execução de “Melodia sentimental” (1958), uma das obras mais emblemáticas de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), inserida em uma suíte que incluiu outros dois temas do maestro: “Estudo nº 11” (1953) e “Mazurka-choro”, parte da “Suíte popular brasileira” (1908, publicada em 1928). Essa sequência de Villa-Lobos demonstrou a profundidade técnica e interpretativa de Leite.

Transitando entre o lirismo e o suingue, a violonista encarou o intrincado coco “Bate-coxa” (Marco Pereira, 1995), mergulhou no samba “Lamentos do morro” (Garoto, 1950) e prestou homenagem a Dilermando Reis, interpretando o choro “Dr. Sabe tudo” (1949) e “Se ela perguntar” (1952). Essa seleção de obras não apenas evidenciou a maestria de Leite em diferentes gêneros, mas também celebrou a riqueza da composição brasileira para violão.

O impacto e os desdobramentos de uma performance inesquecível

A performance de Gabriele Leite no Queremos! Festival! transcendeu a função de um mero show de abertura. Para muitos presentes, foi a descoberta de uma artista que, com apenas 28 anos, já se posiciona como um dos nomes mais relevantes do violão brasileiro contemporâneo. Sua capacidade de unir técnica impecável, sensibilidade e uma presença de palco envolvente deixou uma marca duradoura na memória do público carioca. O entusiasmo com que foi aplaudida de pé, mesmo antes do aguardado show de Zeca Veloso, é um testemunho do poder de sua arte.

Este tipo de apresentação é crucial para a valorização da música instrumental e clássica no cenário cultural brasileiro, muitas vezes ofuscada por outros gêneros. Ao trazer compositores como Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos e Lina Pires de Campos para um festival de grande porte como o Queremos!, Gabriele Leite não só educa e encanta, mas também reafirma a relevância e a atemporalidade dessas obras. Sua turnê pelo Brasil em abril de 2026 promete consolidar ainda mais sua posição como um talento assombroso, capaz de cativar audiências diversas e expandir os horizontes do violão brasileiro. Para mais informações sobre o festival, visite o site oficial do Queremos! Festival!.

Fonte: g1.globo.com

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