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“Hoje, não me sinto mais invisível”, diz aluna da Ejai Diversidade que teve a vida transformada pela educação

Ascom semed
Ascom semed

Em uma sala de aula na Escola Técnica de Artes (ETA), no Centro de Maceió, uma história de resiliência e transformação se desenrola diariamente. Cristiana Garcia de França, carinhosamente conhecida como China, aos 46 anos, está vivenciando o que por muito tempo pareceu um sonho distante: o acesso à educação. Sua jornada, marcada por desafios e superações, é um testemunho do poder transformador do aprendizado e da inclusão social.

Trabalhadora sexual e sobrevivente das ruas, China, natural da Paraíba, agora consegue escrever seu próprio nome, ler placas de ônibus e, mais importante, vislumbrar um futuro repleto de novas possibilidades. Essa reviravolta em sua vida começou com o programa de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) da Prefeitura de Maceió, gerido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed).

A Jornada de Superação de Cristiana Garcia de França

A infância de Cristiana foi abruptamente interrompida pela perda dos pais, lançando-a em uma realidade de vulnerabilidade nas ruas. Sem estrutura familiar, ela enfrentou fome, violência e o contato precoce com as drogas. A escola, um direito básico para muitos, nunca fez parte de sua realidade. A prioridade era simplesmente sobreviver a cada dia.

Aos 15 anos, mudou-se para Maceió, carregando consigo o peso da exclusão e a ausência de qualquer experiência formal de aprendizado. “Eu nunca tinha entrado numa escola. Nunca tinha pegado num livro”, revela China, destacando a profundidade de sua privação educacional.

A falta de alfabetização impunha barreiras significativas em seu cotidiano. Cristiana dependia constantemente de terceiros para tarefas simples, como identificar o ônibus correto, o que frequentemente a expunha a enganos e desrespeito. “Eu sofria muito. Perguntava qual ônibus pegar e me diziam errado. Eu não tinha autonomia para nada. A gente se sente invisível quando não sabe ler”, relembra, sublinhando a sensação de invisibilidade que a acompanhava.

Por anos, a esperança de estudar parecia extinta, ofuscada pelas dificuldades e pelo vício. A virada, no entanto, veio de uma pergunta singela de uma conhecida, Luísa, que indagou sobre seu maior sonho. A resposta de China foi imediata e sincera: “aprender a ler e escrever”.

Ejai Diversidade: Educação como Ferramenta de Inclusão Social

A resposta de Cristiana desencadeou um movimento que culminou na criação da primeira turma da Ejai voltada especificamente para pessoas em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, batizada de Ejai Diversidade, abraça trabalhadoras sexuais, pessoas trans e a população em situação de rua, reconhecendo a necessidade de políticas públicas inclusivas.

O caminho até a sala de aula não foi fácil. Cristiana relata ter enfrentado resistência e preconceito. “Foi muito difícil. Teve preconceito. Teve gente que não acreditava que a gente merecia estar numa sala de aula”, conta. A superação dessas barreiras sociais e a concretização do acesso à educação representaram uma vitória não apenas pessoal, mas coletiva.

No dia em que finalmente pôde vestir uma farda, ter um caderno e um livro, a emoção foi incontrolável. “Eu chorei. Nunca tinha usado uma farda, nunca tinha tido um caderno, um livro”, descreve. O que para muitos é rotina, para ela era a realização de um sonho antigo, um marco de dignidade e pertencimento.

Autonomia e Novos Horizontes: O Impacto da Alfabetização

A alfabetização trouxe mudanças práticas e simbólicas profundas na vida de Cristiana. A capacidade de ler e escrever lhe concedeu uma autonomia inédita. Ela passou a se locomover sozinha, sem depender de terceiros, e até mesmo realizou viagens para fora do estado, como para Manaus. “Hoje, eu pego transporte sozinha. Já viajei até Manaus. Antes, isso era impossível. A educação trouxe uma felicidade que me ajudou a mudar”, reconhece, destacando a liberdade recém-adquirida.

Mais do que a aquisição de conhecimentos, a educação permitiu que China reconstruísse sua autoestima e a forma como se percebe no mundo. “Hoje eu não me sinto mais invisível”, afirma, ecoando o sentimento de reconhecimento e valorização que o aprendizado lhe proporcionou. Cada palavra decifrada e cada frase compreendida se tornaram uma celebração, uma prova de sua capacidade e resiliência.

Sonhos de Justiça Social e o Futuro Através da Educação

Com a alfabetização, novos sonhos floresceram. O mais ambicioso deles é seguir os estudos até a graduação em Direito. “Quero ser advogada. Quero defender minhas colegas, porque a gente sofre muito preconceito, muitas violências. Quero também ajudar as pessoas em situação de rua”, pontua Cristiana, revelando um desejo profundo de lutar por justiça social e amparar aqueles que, como ela, enfrentam a vulnerabilidade.

A história de China transcende o aprendizado individual, tornando-se um poderoso exemplo do impacto de políticas públicas inclusivas. Programas como a Ejai não apenas ensinam a ler e escrever, mas oferecem dignidade, autonomia e a chance de reescrever trajetórias interrompidas pela exclusão. “Foi a educação que me tirou de um mundo cruel”, finaliza Cristiana, simbolizando a transformação que o conhecimento pode operar.

Entre cadernos e aspirações, ela segue reconstruindo sua história, palavra por palavra, provando que aprender é um ato de resistência, um recomeço e, acima de tudo, um caminho para a justiça social. Para mais informações sobre a importância da Educação de Jovens e Adultos, consulte o Ministério da Educação (MEC).

Acesso à Educação de Jovens e Adultos em Maceió

A Prefeitura de Maceió, por meio da Semed, mantém vagas abertas para a Educação de Jovens, Adultos e Idosos em sua rede pública municipal de ensino. Em 2026, a modalidade é oferecida em 40 unidades escolares, reafirmando o compromisso da cidade com a inclusão educacional.

Interessados em iniciar ou retomar os estudos devem procurar presencialmente uma das escolas que oferecem a modalidade, nos turnos da manhã, tarde ou noite. É necessário apresentar RG e comprovante de residência. Alternativamente, é possível buscar atendimento na Coordenação Técnica da Ejai, na sede da Semed, localizada na Rua General Hermes, na Cambona, das 9h às 15h.

Após a matrícula, o estudante informa a última etapa cursada e realiza uma avaliação diagnóstica, que serve para indicar a fase adequada para a continuidade dos estudos, sem a obrigatoriedade de apresentação de histórico escolar. Além da formação básica, os alunos da Ejai podem participar de cursos de iniciação profissional, realizados paralelamente às aulas por meio de parcerias institucionais, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ampliando as oportunidades de qualificação e inserção no mercado de trabalho.

Para mais informações, a sede da Semed está localizada na Rua General Hermes, 1199 – Cambona, CEP 57017-201. O telefone para contato é (82) 3312-5608, com horário de atendimento de segunda a sexta, das 8h às 14h.

Fonte: maceio.al.gov.br

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