O mundo da música pesada e do punk rock perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Ross ‘The Boss’ Friedman, lendário guitarrista e cofundador de bandas como Manowar e The Dictators, faleceu aos 72 anos na noite da última quinta-feira, 26. A notícia foi confirmada por meio de um comunicado oficial na página do músico no Instagram, que detalhou a causa da morte como complicações decorrentes da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença com a qual ele vinha lutando.
A partida de Friedman deixa um vazio imenso na cena musical, onde ele era reverenciado por sua técnica, energia e contribuições inovadoras que moldaram gêneros inteiros. Sua carreira, que se estendeu por décadas, foi marcada pela versatilidade e pela capacidade de transitar entre o peso do heavy metal e a crueza do punk, sempre com uma identidade sonora inconfundível. A revelação do diagnóstico de ELA havia sido feita pela banda The Dictators, um dos primeiros grupos que ele ajudou a fundar, e desde então, fãs e colegas acompanhavam sua jornada com apreensão e apoio.
A Trajetória de um Ícone do Metal e Punk Rock
A jornada musical de Ross ‘The Boss’ Friedman começou muito antes de sua fama no heavy metal. Ele foi um dos pilares do The Dictators, uma banda seminal do punk rock nova-iorquino, formada em 1973. Com sua guitarra afiada e atitude irreverente, Friedman ajudou a definir o som do punk antes mesmo que o gênero explodisse globalmente, misturando rock and roll clássico, surf music e uma energia crua que influenciou inúmeros artistas.
No final dos anos 1970, Friedman deu um salto significativo em sua carreira ao cofundar o Manowar em 1980. Ao lado de Joey DeMaio, Eric Adams e Donnie Hamzik, ele ajudou a criar uma das bandas mais influentes e controversas do heavy metal. O Manowar rapidamente se tornou sinônimo de “true metal”, com letras sobre batalhas épicas, mitologia nórdica e uma sonoridade grandiosa, caracterizada por volumes altíssimos e performances teatrais. Ross ‘The Boss’ foi essencial para o som inicial da banda, contribuindo com riffs poderosos e solos melódicos que definiram clássicos como “Battle Hymns” e “Kings of Metal”. Sua presença na banda durou até o final da década de 1980, período em que o Manowar consolidou sua reputação como uma força imparável no metal mundial.
Após sua saída do Manowar, Friedman não diminuiu o ritmo. Ele continuou ativo na música, tocando em diversos projetos e bandas, demonstrando sua paixão inabalável pela guitarra e pela performance ao vivo. Em 2008, ele fundou sua própria banda, a Ross the Boss, que permitiu ao guitarrista explorar novas sonoridades enquanto revisitava o legado do metal clássico, mantendo-se relevante e ativo nos palcos internacionais.
A Luta Contra a ELA e o Legado Musical
A vida de Ross ‘The Boss’ Friedman tomou um rumo desafiador quando, em fevereiro de 2026, o guitarrista revelou publicamente seu diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores, levando à perda gradual da capacidade de movimento. Para um músico cuja arte dependia intrinsecamente da destreza manual, a notícia foi devastadora, e ele expressou sua tristeza em não poder mais desempenhar seu papel nos palcos com a mesma intensidade.
Em suas próprias palavras, Friedman compartilhou a dificuldade de enfrentar a doença, mas também a força que encontrou no apoio de seus entes queridos e fãs. “É difícil saber o que vem pela frente, e fico desolado em não poder tocar guitarra, mas a onda de amor tem sido tão, tão forte. Estou impressionado com o amor e apoio da minha família, amigos e fãs. Amo todos vocês”, declarou o músico, em uma mensagem que tocou profundamente a comunidade global do rock e metal. Essa declaração ressalta não apenas sua vulnerabilidade, mas também a profunda conexão que ele mantinha com seu público.
Apesar dos desafios impostos pela doença, o legado de Ross ‘The Boss’ Friedman foi reconhecido em vida. Em 2017, ele foi merecidamente introduzido no Metal Hall of Fame, uma honraria que celebra os artistas que fizeram contribuições significativas e duradouras para o gênero. Essa inclusão solidificou seu status como uma lenda, reconhecendo não apenas sua habilidade técnica, mas também sua visão artística e o impacto cultural de seu trabalho.
O Impacto Duradouro de Ross ‘The Boss’
O impacto de Ross ‘The Boss’ Friedman na música vai muito além dos álbuns que gravou. Ele foi um inovador, um pioneiro que ajudou a pavimentar o caminho para gerações de músicos. No Manowar, sua guitarra não era apenas um instrumento; era uma arma que forjava hinos de metal, inspirando lealdade e devoção entre os fãs. Sua técnica, que combinava precisão e melodia com uma agressividade controlada, tornou-se uma referência para guitarristas de heavy metal em todo o mundo. A influência do Manowar, com Ross em sua formação clássica, é sentida até hoje em bandas que buscam a essência do “true metal”.
No cenário punk, sua contribuição com The Dictators é igualmente fundamental. A banda foi uma das primeiras a injetar humor e uma atitude descompromissada no punk rock, criando um som que era ao mesmo tempo pesado e divertido. Friedman demonstrou que era possível ser um virtuoso sem perder a espontaneidade e a energia crua que definem o rock and roll. Sua capacidade de transitar entre esses dois mundos aparentemente distintos – o punk e o heavy metal – é um testemunho de seu talento e versatilidade.
A notícia de sua morte gerou uma onda de homenagens e mensagens de pesar nas redes sociais e em fóruns de música. Fãs, colegas de banda e outros artistas expressaram sua gratidão pelas décadas de música e inspiração que Ross ‘The Boss’ proporcionou. Seu legado, marcado por uma paixão inabalável pela música e uma contribuição imensurável para dois gêneros tão distintos, permanecerá vivo nas canções que ele ajudou a criar e na memória de todos que foram tocados por sua arte. O Manowar, em particular, deve muito de sua identidade inicial à genialidade de Friedman.
Fonte: g1.globo.com